PROJETOS
Minha experiência em trabalhar com Projetos sempre foram ótimas então pretendo estar postando alguns dos projetos que trabalhei em sala e foram muito bem aceito pelos alunos, estarei postando esses projetos com sugestões das atividades desenvolvidas dentro do tema de cada projeto.
Espero estar colaborando um pouquinho com amigos professores de Educação Infantil.
O que é um Projeto?
Como a atividade construtiva de elaborar e desenvolver projetos pode se tornar uma metodologia?
A atividade de fazer projetos é simbólica, intencional e natural do ser humano. Por meio dela, o homem busca a solução de problemas e desenvolve um processo de construção de conhecimento, que tem gerado tanto as artes quanto as ciências naturais e sociais.
O termo projeto surge numa forma regular no decorrer do século XV. Tanto nas ciências exatas como nas ciências humanas, múltiplas atividades de pesquisa, orientadas para a produção de conhecimento, são balizadas graças à criação de projetos prévios.
A elaboração do projeto constitui a etapa fundamental de toda pesquisa que pode, então, ser conduzida graças a um conjunto de interrogações, quer sobre si mesma, quer sobre o mundo à sua volta.
APRENDIZAGEM POR PROJETO É O MESMO QUE ENSINO POR PROJETO?
Quando falamos em “aprendizagem por projetos” estamos necessariamente nos referindo à formulação de questões pelo autor do projeto, pelo sujeito que vai construir conhecimento. Partimos do princípio de que o aluno nunca é uma tábula rasa, isto é, partimos do princípio de que ele já pensava antes.
E é a partir de seu conhecimento prévio, que o aprendiz vai se movimentar, interagir com o desconhecido, ou com novas situações, para se apropriar do conhecimento específico - seja nas ciências, nas artes, na cultura tradicional ou na cultura em transformação.
Um projeto para aprender vai ser gerado pelos conflitos, pelas perturbações no sistema de significações, que constituem o conhecimento particular do aprendiz. Como poderemos ter acesso a esses sistemas? O próprio aluno não tem consciência dele! Por isso, a escolha das variáveis que vão ser testadas na busca de solução de qualquer problema, precisa ser sustentada por um levantamento de questões feitas pelo próprio estudante.
Num projeto de aprendizagem, de quem são as dúvidas que vão gerar o projeto? Quem está interessado em buscar respostas?
Deve ser o próprio estudante, enquanto está em atividade num determinado contexto, em seu ambiente de vida, ou numa situação enriquecida por desafios.
Mas a escola, ou o curso pode permitir ao aluno escolher o tema, a questão que vai gerar o desenvolvimento de um projeto?
É fundamental que a questão a ser pesquisada parta da curiosidade, das dúvidas, das indagações do aluno, ou dos alunos, e não imposta pelo professor. Isto porque a motivação é intrínseca, é própria do indivíduo.
Temos encontrado que esta inversão de papéis pode ser muito significativa. Quando o aprendiz é desafiado a questionar, quando ele se perturba e necessita pensar para expressar suas dúvidas, quando lhe é permitido formular questões que tenham significação para ele, emergindo de sua história de vida, de seus interesses, seus valores e condições pessoais, passa a desenvolver a competência para formular e equacionar problemas. Quem consegue formular com clareza um problema, a ser resolvido, começa a aprender a definir as direções de sua atividade.
COMO SE INICIA UM PROJETO PARA APRENDER?
Usamos como estratégia levantar, preliminarmente com os alunos, suas certezas provisórias e suas dúvidas temporárias. E por que temporárias?
Pesquisando, indagando, investigando, muitas dúvidas tornam-se certezas e certezas transformam-se em dúvidas; ou, ainda, geram outras dúvidas e certezas que, por sua vez, também são temporárias, provisórias.
Iniciam-se então as negociações, as trocas que neste processo são constantes, pois a cada ideia, a cada descoberta os caminhos de busca e as ações são reorganizadas, replanejadas.
Há diferentes caminhos que podem levar à construção do projeto, a partir das necessidades do aluno. Inventando e decidindo é que os estudantes/autores vão ativar e sustentar sua motivação. Para tanto, precisamos respeitar e orientar a sua autonomia para:
- Decidir critérios de julgamento sobre relevância em relação a determinado contexto.
- Buscar/localizar/selecionar/recolher informações.
- Definir/escolher/inventar procedimentos para testar a relevância das informações escolhidas em relação aos problemas e às questões formuladas.
- Organizar e comunicar o conhecimento construído.
1º PROJETO
APRENDENDO A FAZER ARTE
Projeto elaborado pela professora
Vera Freire Palma
SUMÁRIO
1 JUSTIFICATIVA
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
2.2 Objetivos Específicos
3 PROBLEMA
4 METODOLOGIA
5 CONTEÚDOS
6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
7 BIBLIOGRAFIA
Pretendemos estar trabalhando o projeto “Aprender fazendo arte” com a participação efetiva das turmas do Berçário, Maternal e Jardim.
Dentro dos conteúdos a serem trabalhados no segundo semestre estaremos complementando com maior ênfase os eixos: movimento, música e artes visuais.
A ideia surgiu após percebemos a necessidade de promover o desenvolvimento físico emocional, intelectual e social de nossas crianças, através das artes, onde o movimento, a música, a dramatização se farão presentes nas apresentações artísticas no decorrer do semestre.
Cabe a nós professores perceber a importância da arte na educação sendo que a mesma é na verdade uma área estratégica, pois tem potencial para ser um dos principais instrumentos de transformação do sistema de educação como um todo.
2 OBJETIVO
2.1 Objetivos Geral
Ø Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, tendo como fator primordial, elevar a sua auto-estima possibilitando que identifique como sujeito da história;
Ø Utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, oral e escrita), ajustadas as diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressando suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos;
Ø Que sejam capazes de avançar no processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais suas capacidades expressivas nas brincadeiras e nas demais situações de interação;
Ø Desenvolver a atenção, raciocínio e a criatividade das crianças, através de atividades onde o lúdico se faça presente;
Ø Valorizarem a ampliação das possibilidades estéticas do movimento através da dança, brincadeiras nas situações do cotidiano;
Ø Respeitar as peculiaridades das crianças, onde o pensamento, a sensibilidade, a imaginação, a percepção, a intuição e a cognição deverão ser trabalhados de forma integrada dispondo-se a favorecer o desenvolvimento das capacidades criativas das crianças;
Ø Trabalhar a música com forma de desenvolvimento, onde a criança possa vir a interessar-se por vários ritmos musicais, na exploração de sons diversos como a voz, o corpo e materiais diversos.
3 PROBLEMA
As atividades lúdicas, teatro, dramatização, música, dança, proporcionarão maior integração e união entre as turmas?
Ø Apresentações de mágica pelas educadoras e as crianças, para desenvolver a atenção, o raciocínio e a criatividade das crianças de forma lúdica;
Ø Organizar peças teatrais que consigam passar mensagens, nas quais envolvam os conteúdos propostos;
Ø Hora do conto, utilizando aventais, fantoches, caixa de sombra como recurso pedagógico para trabalhar os diferentes eixos propostos no projeto.
Ø Promover uma mini-gincana entre as turmas, com circuito (bola, corda, obstáculos) ampliando assim as possibilidades expressivas do próprio movimento, explorando diferentes posturas corporais, onde a criança possa sentir a valorização de suas conquistas corporais.
Ø Atividade pictórica, confecção de um grande painel onde cada criança poderá expressar sua criatividade utilizando diferentes tipos de materiais, como lápis, pinceis e carvão.
Ø Execução de um bolo, onde as crianças irão decorar com confeitos em forma de sol, lua e estrelas.
Ø Passeio ecológico pelo bairro, onde as crianças estarão vestindo camisetas com com a escrita “O Planeta pede Socorro, seja consciente”, durante o passeio será distribuído para a comunidade panfletos com dicas de como preservar o meio ambiente, para que sejam adotadas práticas de conservação ambiental, com mudanças que contribuam para a melhor qualidade de vida, a fim de garantir um ecossistema sadio e equilibrado para as presentes e futuras gerações.
Ø Serão trabalhadas ainda dentro do projeto as datas comemorativas como semana da pátria, dia da arvore, início da primavera, semana da criança e o Natal.
Ø Animais;
Ø Vegetais;
Ø Astros, Terra, Sol, Lua e estrelas;
Ø Relação do homem com o ambiente;
Ø Reconhecer a necessidade de preservação da vida no planeta;
Ø Datas comemorativas.
As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem, e pensam o mundo de um jeito muito próprio. Nas interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhes são próximas e com o meio que as circunda assim as crianças revelam seus esforços para compreender o mundo em que vivem as relações contraditórias que presenciam e, por meio de brincadeiras, explicitam as condições de vida a que são submetidas e seus anseios e desejos. No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam as mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com outras pessoas e com o meio em que vivem.
Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina e etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser criança, ela permanecem em suas individualidades e diferenças.
A organização de situações de aprendizagem orientadas ou com intervenção do professor permite que as crianças trabalhem com diversos conhecimentos.
Em situações de interação social ou sozinhas, as crianças desenvolvem suas capacidades de apropriação dos conceitos, dos códigos sociais e das diferentes linguagens, por meio da elaboração de perguntas e respostas, da construção de objetos e brinquedos.
Como mediador o professor deve considerar que:
- A interação com crianças da mesma idade e idades diferentes, promovendo a aprendizagem, o desenvolvimento e a capacidade de relacionar-se;
- Os conhecimentos prévios de qualquer natureza que as crianças possuem;
- A individualidade e a diversidade;
- O grau de desafio das atividades e que sejam significativas;
- A resolução de problemas como aprendizagem.
Segundo Ostetto (2001, p.177), “Planejar é essa atitude de traçar, projetar, programar, elaborar um roteiro para empreender uma viajem de conhecimento de interação de experiências múltiplas e significativas para com o grupo de crianças.”
O professor deve planejar e oferecer uma gama de experiências que responda, simultaneamente as demandas do grupo e as individualidades de cada um, respeitando suas necessidades e ritmos.
Os gestos, movimentos corporais, sons produzidos, expressões faciais, as brincadeiras e toda forma de expressão, representação e comunicação devem ser consideradas como fonte de conhecimento para o professor sobre o que a criança já sabe.
Vindos de universos culturais diferentes as crianças sabem coisas diferentes, para que possam desenvolver todos seus potenciais precisam estar sempre sendo estimuladas, questionadas sobre os diferentes assuntos fazendo com que seu mundo esteja sempre sendo ampliado, trazendo assim novas informações, novos conceitos acerca do mundo no qual estão inseridas.
“Compreender a criança como um sujeito histórico e culturalmente localizado significa dizer que ação educativa com ela caminha no sentido de ampliar seu repertorio vivencial, trabalhando com suas práticas sociais e culturais.” (Proposta Curricular de Santa Catarina, 1998, p.30)
Trabalhar em especial com os eixos propostos no projeto possibilitará elaborar e ampliar os conhecimentos, como também, de construir tanto a identidade pessoal de cada criança como de cada grupo.
A música é um recurso fundamental para o desenvolvimento dos aspectos cognitivos, psicomotores e sócio-afetivos da criança.
Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos ritmos, jogos de mãos, apresentações musicais são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto musical, alem de atenderem as necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva.
A música provoca modificações na vida interior da criança, como alias toda a impressão exterior. Significando, ampliando, diferenciando, melhorando e aprofundando a própria essência do existir, em geral a criança apresenta sensível, mostrando suas emoções originais, autenticas diante da sonorização. (Howard, 1984, p.49)
A música apresenta uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para as crianças, tanto o som quanto o ritmo são elementos básicos da música, empregados especificamente na plenitude da expressão musical, podem provocar nelas reações de cordialidade, entusiasmo, prender sua atenção, estimular sua vontade auxiliando a conciliar a ação educativa.
Através da música, da dramatização das brincadeiras, estamos permitindo a criança novas descobertas, do prazer, da alegria, da vida, das emoções e do encantamento que rodeiam a vida das mesmas.
A ampliação do universo discursivo das crianças também se dá por meio do conhecimento da variedade de textos e de manifestações culturais que expressam modos e formas próprias de ver o mundo, de viver e pensar. Música, poemas, histórias, bem como diferentes situações comunicativas, constituem-se num rico material para isso. (Referencial Curricular, p.139)
É necessário que seja oferecida a possibilidade da brincadeira de jogos simbólicos às vezes organizados e dirigidos e, em outros momentos organizados pelo educador, porém de livre opção das crianças. A possibilidade de participar desde a construção dos mais diferentes matérias como fantasia mascara fantoches, marionetes, entre outros até a sua utilização em dramatizações, teatro musicais, se constitui em um espaço de vivência onde a criança trabalha com a imitação e a representação, desenvolvendo sua autonomia e estruturas de regras para o convívio grupal.
7 BIBLIOGRAFIA
BRASIL, MEC/SEF. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Ministério da Educação e do Desporto, Secretária de Educação Fundamental. Vol.1,2 e 3. Brasília: MEC/SEF, 1998.
HOWARD, Walter. A música e a criança. 3ª ed. São Paulo: Summus, 1984.
OSTETTO, Luciana E., Encontros e encantamentos na Educação Infantil. Campinas, SP: Papirus, 2000, P.177.
Proposta Curricular de Santa Catarina, 1998.
2º PROJETO
A APRECIAÇÃO MUSICAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DA AÇÃO A REFLEXÃO
Vera Freire Palma[1]
Claudete Bonfanti[2]
RESUMO
Este estudo é resultado de uma investigação que iniciou pelas observações num Centro de Educação Infantil do município de Balneário Camboriú/SC e se desenvolveu no Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia da Univali. O objetivo condutor foi o de investigar como a música pode contribuir na aprendizagem das crianças da educação infantil. A coleta de dados aconteceu por intermédio de observações participantes com registro em diário de campo, entrevista e questionário, plano de ações para a intervenção com crianças de quatro e cinco anos. A análise compreendeu a descrição e interpretação de episódios da observação, relatos e das ações da intervenção. Os resultados do estudo indicam que a música contribui como área do conhecimento para o trabalho nas demais áreas e, especificamente, eixos do conhecimento (RCNEI/MEC, 1998)
Palavras-chave: música, Educação Infantil, aprendizagem.
1 INTRODUÇÃO
Este estudo surgiu da observação participante, que aconteceu em 12 de setembro de 2005 a 16 de setembro do mesmo ano. Foi realizada no Núcleo de Educação Infantil, pertence a Rede Municipal de Balneário Camboriú.Foram sujeitos da pesquisa crianças de 04 a 05 anos da turma do Jardim e a professora da sala. Concorda-se com Ludke (1986, p.26), quando se refere ao ato de observar e o que esta ação supõe:
A observação direta permite também que o observador chegue mais perto da “perspectiva dos sujeitos”, um importante alvo nas abordagens qualitativas. Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e as suas próprias ações.
Através dos registros das observações em diário de campo, percebi a necessidade de elaborar um plano de ação que fosse desenvolvido no Núcleo. Na ocasião vislumbrei certa dificuldade por parte dos professores de Educação Infantil em estruturar estratégias que proporcionassem a realização da prática musical adequadamente.
Os objetivos norteadores da proposta foram assim delineados: determinar relações entre teoria e prática, através da analise no decorrer das etapas da prática pedagógica; identificar na rotina diária das crianças do Núcleo, que momentos eram destinados ao trabalho com a Musicalidade, conhecer os recursos pedagógicos disponíveis para valorizar uma prática com ênfase na música.
Construir um plano de ação que envolva as crianças em momentos musicais; verificar até que ponto a música pode aumentar ou não o interesse na aprendizagem; analisar a influência que a música tem sobre a criança.
Para Souza (2006, p. 179), “A tarefa básica da música na Educação é fazer contato, promover experiências com possibilidades de expressão musical e introduzir os conteúdos e diversas funções da música na sociedade, sob condições atuais e históricas”.
Buscou-se trabalhar com a música visando informar e mostrar através de atividades diversas, como pode ser trabalhada a Educação Musical com crianças na Educação Infantil, procurando desenvolver a capacidade das mesmas de vivenciar a música, ampliando e aprofundando suas relações com ela.
2 MÚSICA: alguns pontos conceituais
A música é um fenômeno universal, uma linguagem que todos entendem, é um traço de união entre povos. Ela gera conhecimento e tem especial significado porque opera com forço total na percepção e na cognição humana. A educação musical tem a função de acionar e desenvolver tanto a capacidade do indivíduo para compreender as relações que possibilitam a expressão, quanto os mecanismos no processo de organização sonora.
A combinação de elementos básicos que constituem som, ritmo, melodia e harmonia, possibilita a sua expressão, que é de enorme beleza. Pep (apud CRAIDY; KAERCHER, 2001, p. 56), salienta que as crianças não precisam ser profissionais na área do conhecimento musical:
Os alunos não são músicos profissionais, nem deve ser este o objetivo das aulas de música das escolas. Mas o tratamento que é preciso dar às aprendizagens deve estar orientado para a criação e a exteorização de tudo o que tenham assimilado, sem desprezar as possibilidades que têm de fazer música, embora seja a partir de conhecimentos básicos. Devemos partir do principio segundo o qual todas as pessoas são capazes de criar (em qualquer linguagem). É necessário em nossos alunos aquilo que, se não for desenvolvido na infância jamais o será, e permitir que certos conteúdos apareçam em sua aprendizagem quando necessários. A base é muito importante no terreno artístico. E a base da arte é, principalmente, a sensibilidade.
A música apresenta uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para as crianças, tanto o som quanto o ritmo são elementos básicos da música, empregados especificamente na plenitude da expressão musical, podem provocar nelas reações de cordialidade, entusiasmo, prender sua atenção, estimular sua vontade auxiliando a conciliar a ação educativa.
2.1 Aprofundamento de conceitos relacionados com a música
A palavra música é originária da palavra grega “MUSIKE” e não designava só melodia executada através de instrumentos, mas também de canto e dança.
A música é um recurso fundamental para o desenvolvimento dos aspectos cognitivos, psicomotores e sócio-afetivos da criança. A música auxilia o indivíduo a tomar consciência do jogo intimo do seu ser através de fibras mais sensíveis e de suas experiências emotivas, conduzindo ao prazer. A música pode ser considerada uma sinfonia sonora que nos cerca em todos os lugares. Assim, todos possuem em seus corpos e em suas vidas a musicalidade.
O processo de alfabetização das crianças, em uma cultura seja ela qual for, passa pela aprendizagem de todos os elementos que constituem: a organização social e econômica, a estrutura das relações de parentesco, a língua, a religião, a música, a dança, etc.
Para Jeandot (1993, p.20), “A música tem sido uma forma de comunicação entre os indivíduos, acompanhando sua evolução e socialização”. Este autor ressalta que o convívio com a música pode tornar a criança curiosa, observadora, capaz de sentir e agir, criar, refletir e resolver problemas. Ela influência no desenvolvimento da percepção e do senso crítico levando o indivíduo a pensar, questionar, perguntar, buscando desta forma o saber.
Por esse motivo é muito importante que o educador perceba que a música é um caminho a mais que se abre para o desenvolvimento integral da personalidade humana.
Ao educador caberá enriquecer seu repertório musical com discos e materiais para serem explorados, observar o trabalho de cada criança e planejar atividades que envolvam a música de diferentes povos, épocas de diferentes formas e compositores.
Assim, entende-se que a música no sistema pedagógico não só faz parte de um processo social bem como cultural. A partir do momento que a criança nasce, já é influenciada pela música, quanto mais tiverem acesso a música mais conhecimento poderão construir sobre esta forma de expressão, que precisa ser desenvolvida na infância.
Dessa maneira, experiências com a música devem os induzir ações e comportamentos para que esse intercâmbio e essa comunicação venham ser benefícios no processo de ensino aprendizagem.
A música, além de auxiliar no processo de aprendizagem, auxilia e prepara a criança para um aprendizado posterior, fazendo com que o aluno tome gosto pelo canto, pelo ritmo, pelo som, estimulando-o a aprender também a se expressar oralmente, socialmente. Isso sem falar nas alternativas educativas que ela oferece através de jogos, brincadeiras, histórias que podem ser proporcionadas com a utilização da música.
A Educação Musical é hoje considerada um caminho a mais que se abre para o desenvolvimento integral da personalidade humana.
A música tem sido uma forma de comunicação entre os indivíduos, acompanhando sua evolução e socialização. O convívio com a música pode tornar as crianças curiosas, observadoras, capazes de sentir e agir, criar, refletir e resolver problemas. Ela influência no desenvolvimento da percepção e do senso critico levando o indivíduo a pensar, questionar, perguntar, buscando desta forma o saber (JEANDOT, 1993).
Por este motivo o educador deve perceber o nível musical das crianças para depois integrar a música ao conteúdo, encorajando atividades que possa desenvolvê-la em vários níveis. Jeandot (1993, p. 20), reforça ainda o papel do educador na sua função de promotor e desencadeador do conhecimento musical:
Ao educador caberá enriquecer seu repertório musical com discos e materiais para serem explorados, observar o trabalho de cada criança e planejar atividades que envolvam a música de diferentes povos, épocas, de diferentes formas e compositores.
Os alunos devem sentir que estão “fazendo música” e o quanto é prazeroso colocar suas personalidades nestas produções, sentir-se inteiros no processo musical, brincando, se divertindo e aprendendo.
O educador deve sentir e acreditar na Educação Musical como meio afetivo na formação da criança, valorizando a cultura que sustenta a vida destes alunos dentro e fora da escola.
Muitos são os educadores que já perceberam as possibilidades de avançar pedagogicamente por caminhos mais cativantes, utilizando a música como parceira, investigando nas suas características modelizadoras para atrair e fazer crescer seu grupo, compreendendo e experimentando seu valor no processo educativo. Segundo Joly (2003, p.113),
A música tem sido reconhecida como parte fundamental da história da civilização, existindo uma relação muito estreita entre o desenvolvimento musical e o intelectual, sendo que o musical relaciona-se também com os outros “Processos de cognição”: a memória, imaginação, comunicação verbal e corporal, além de estimular o auto-conhecimento e a auto-expressão.
A Educação Musical tem a função de acionar e desenvolver tanto a capacidade do indivíduo para compreender as relações que possibilitam a expressão, quanto os mecanismos cognitivos presentes no processo de organização sonora.
Assim como Piaget (apud Becker, 1993, p. 63), “O ensino da música parte da experiência vivida em direção à abstração dos conceitos, assim considerada, dizer que a alfabetização musical propicia uma construção interdisciplinar”.
O pensamento da criança com as experiências musicais vai se organizando, e quanto mais ela tem oportunidade de comparar as ações executadas e as sensações obtidas através da música, mais a sua inteligência, o seu conhecimento vai se desenvolvendo. Quando a música é trabalhada em grupo desenvolve o sentimento de segurança e a criança que se sente tímida ou inibida encoraja-se e começa a cantar. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a educação infantil (1998, vol3, p. 45),
A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música esta presente em todas as culturas, nas mais diversas situações.
Ao mostrar suas emoções, libertar seus impulsos e utilizar seu corpo para criar música, a criança desenvolve o sentimento de auto-realização como a música. A criança garante emoções importantes para seu desenvolvimento como: medo, alegria, insegurança, tranqüilidade, pavor e tantas outras, vivendo profundamente tudo o que o som, ritmo provocam em quem as ouve.
A música antecipa situações ainda não vividas por ela, estabelece relações entre as pessoas. Contribui na interação social e na ampliação da socialização a música tem sido uma forma de comunicação entre os indivíduos acompanhando sua evolução e socialização. É importante ressaltar que esse convívio com um novo meio de desenvolvimento pode tornar as crianças curiosas, observadoras, ansiosas e indispensáveis, capazes de sentir, agir, criar, refletir e resolver situações-problema. Influência no desenvolvimento da percepção a partir do que o professor pode adotar, exercícios de coordenação motora, praticados com a voz, os pés e as mãos, trabalhando também a respiração, pois a criança será capaz de identificar os locais de manifestação dos sons na boca e no nariz que melhora muito a dicção.
A criança também desenvolve todo o potencial crítico, a partir daí ela pode pensar, duvidar, perguntar, questionar buscando aumentar seu saber e perceber que pode crescer, atualizar e mudar sua opinião. Concorda-se com as palavras de Jeandot (1993, p. 22), quando se refere ao papel do educador:
Ao educador caberá enriquecer seu repertório musical como discos e materiais para serem explorados, observar o trabalho de cada criança e planejar atividades que envolvam músicas de diferentes povos, de diferentes formas, de diferentes compositores.
A criança desde épocas mais remotas convive com a música. Antes mesmo de seu nascimento ela entra em contato com a música através de pulsações do coração da mãe. Essa convivência aumenta o contato, como as cantigas que auxiliam na hora de adormecer, reagem a sons estranhos: campainha, apito até chegar aos aparelhos sonoros, teoria baseada em Jeandot (1993).
Assim, toda criança tem contato potencial e possibilidade de aprender, sentir, criar e conviver através da música.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta pesquisa está embasada numa abordagem qualitativa que se fundamenta em descrições de situações, utilizando-se da palavra de diversos autores para dar subsídios às informações e proporcionar maior esclarecimento.
Para implementar do projeto coletamos dados por intermédio de protocolos de observação e registros em diário de campo, questionário e entrevista com 22 crianças. A interpretação destes dados possibilitou planejar as ações a serem realizadas na intervenção diretamente com as crianças. Ao planejar as ações também se pensou na oferta de materiais relacionados a produção de sons, e elaboração de conceitos relacionados a música: ritmo, sons, repercussão, entre outros. O plano foi construído considerando objetivos, estratégias, recursos e critérios de avaliação para acompanhar o desenvolvimento das crianças nas ações propostas.
Todo o estudo foi implementado num Centro de Educação Infantil da rede pública municipal de ensino na cidade Balneário Camboriú, com crianças de 4 a 5 anos. Explica-se que o percurso do estágio da Prática de Ensino compreendeu as seguintes etapas: doze horas no 6º período do curso (2005/I); quarenta horas no 7º período (2005/II) e quarenta horas no 8º período (2006/I).
4 REFLEXÃO NA AÇÃO E RESULTADOS
A intervenção colocada em prática foi de suma importância para minha experiência profissional, pois me trouxe novas experiências e uma nova visão em relação ao trabalho com a música na Educação Infantil, e o quanto a mesma poderá estar contribuindo na aprendizagem das crianças, e da importância que se faça presente no planejamento diário do professor, não só nas datas comemorativas e na rotina, mas como um elemento facilitador da aprendizagem, e como fim do processo educacional.
Trouxe para a sala algumas revistas onde apareciam figuras de instrumentos musicais feitos com sucatas e outra revista com um painel de silhuetas de instrumentos musicais para serem exploradas na intervenção. Percebi que gostaram, pois fizeram perguntas, como: “Tem um violão aqui!”; ou “Professora vamos fazer o tambor?”; olharam as revistas com interesse.
De acordo com o plano de ações propus assistir um vídeo que consistiu em visualizar alguns instrumentos musicais de diversos tipos: de sopro, de corda e de percussão, neste DVD os instrumentos eram tocados por crianças onde as mesmas faziam comentários e falavam de como gostavam de tocá-los, a turma assistiu com bastante atenção e, às vezes, fazendo perguntas, como: “A gente vai fazer um violão?”; “Vamos tocar flauta?”; “Eu quero a gaita de boca!” ou “Eu quero tocar o tambor!”.
Ressalta-se as palavras de Romanelli professor de teoria e Prática de Ensino do departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), “Construir instrumentos musicais com materiais alternativos, além de barato é uma ferramenta importante de aprendizagem”.
A manipulação de objetos sonoros faz com que as crianças descubram que as coisas emitem sons e que eles podem ser organizados. Esse é o principio da música, porém, quando a criança descobre que ela mesma pode elaborar um instrumento musical, o processo se torna divertido e didático.
Um fator importante na prática de invenção de instrumentos musicais está relacionado ao desenvolvimento da criança e ao valor que ela dá aos instrumentos. Se a experiência musical de uma criança acontecer com um instrumento que ela mesma criou, o resultado pode ser significativo para o processo de aprendizagem.
Foram confeccionados instrumentos musicais com materiais alternativos, usou-se latas de Nescau, latas de óleo, tampas de garrafas, bambu, pedaços de madeiras. Foi bastante divertida essa atividade, e porque não dizer também barulhenta, pois todos assim que iam finalizando os instrumentos já pediam para tocá-lo, uma das crianças falou: “Eu quero o violão igual a do menino (menino que aparece na gravação de vídeo)!”outra criança perguntou: “Nós vamos levar para a casa?”
Neste dia, na hora do soninho foram colocadas cantigas de ninar como forma de acalmar e possibilitar um descanso tranqüilo.
Quando acordaram começaram a contar tudo o que tinha se passado no período da manhã para a professora do período vespertino, deixando-a surpresa, pois era muita coisa e todos queriam falar ao mesmo tempo. Alguns falaram assim: “Eu que fiz o tambor!”; “Eu sei tocar essa flauta!” (já com a flauta nas mãos fazendo o maior barulho); uma das meninas disse: “Eu quero tocar a guitarra que eu ajudei colocar o fio!”; outra: “Eu fiz das tampinhas!”.
Ouvir estas falas e possibilitar as crianças contar suas vivencias contribui para o desenvolvimento da oralidade, pois a mesma não se dá nem natural, nem magicamente, mas através da qualidade da interação do professor com a criança.
Em outro momento foi apresentado o painel das sombras, onde constava a sombra de cada instrumento musical trabalhado na parte da manhã. Assim colocamos na parede e brincamos com os mesmos, cada aluno recebeu um instrumento e tinha que achar a sombra do mesmo no painel fixado na parede. Este foi um recurso propício para as crianças conhecerem os instrumentos musicais, possibilitando aproximações conceituais com a música tornando o jogo dos instrumentos uma ferramenta importante de aprendizagem. Dornelles (apud CRAIDY & KAERCHER, 2001. p. 103), comenta que ao brincar a criança se apropria da cultura infantil e se habitua a convivência social,
A criança se expressa pelo ato lúdico e é através desse ato que a infância carrega consigo as brincadeiras. Elas perpetuam e renovam as culturas infantis, desenvolvendo formas de convivência social, modificando-se e recebendo novos conteúdos, a fim de se renovar a cada nova geração. E pelo brincar e repetir a brincadeira que as crianças saboreiam a vitória da aquisição de um novo saber fazer, incorporando-o a cada novo brincar. A brincadeira é algo que pertence a criança, a infância; através do brincar a criança experimenta, organiza-se, regula-se, constrói normas para si e para o outro. Ela cria e recria, a cada nova brincadeira, o mundo que a cerca.
Foi pensando na história da infância que elaborei este jogo das sombras, por ser uma brincadeira que certamente as crianças gostaram e aprenderam sobre os instrumentos musicais, através do painel de forma lúdica e prazerosa.
Outra ação desenvolvida junto ao grupo de vinte crianças, diz respeito à aula passeio pelo bairro da praia do Estaleiro. Enquanto caminhávamos (eu e a professora Melissa), procuramos chamar a atenção para os sons da natureza e do ambiente que nos circundava.
Escutamos o cantar dos pássaros, das folhas secas que pisávamos em cima, ouvimos e gravávamos em fita, por último fomos até a praia e lá chegando sentamos todos na calcada e pedi que ouvissem o barulho do mar, que às vezes era diferente, de um lado da praia era um som e já do outro mudava, perguntou-se se sabiam por que, uma das crianças respondeu-me: “Eu sei, é por que têm as pedra e a onda bate!”.
Durante nossa caminhada cantávamos cantigas e observamos pássaros nas árvores, também na praia sentamos no “deck” e fizemos uma brincadeira de faz-de-conta, foi solicitado que fechassem os olhos e imaginassem que estavam em um barco e que o mar estava agitado, as ondas estavam sacudindo o barco, e que escutassem o barulho que elas faziam batendo no barco. Comentou-se a respeito da beleza do som das ondas; é como uma música gostosa de ouvir.
Em círculo cada criança escolheu um instrumento musical feito com materiais alternativos e cantamos diversas canções. Houve uma participação efetiva do grupo nesta ação proposta onde souberam identificar cada um dos instrumentos. A expressão facial denunciava que estavam alegres e encantados com o som que cada um dos instrumentos emitia. Esta atividade tornou-se divertida e o resultado no processo de aprendizado musical.
O grupo do maternal foi convidado para assistir o nosso grupo musical, e até demos um nome para o mesmo: “Grandes talentos musicais”, ainda a tarde, realizamos uma produção pictórica do passeio realizado pela praia.
No pátio foi proposta a acão de brincar com a música “Toca do ursinho”, a toca era um bambolê e ao sinal do apito todos deveriam procurar a toca do ursinho. A atividade se mostrou prazerosa; foi possível trabalhar com as crianças o imaginário, pois a letra da música criou diversas situações em que as mesmas vivenciavam em realismo muito significativo, tornando a brincadeira muito divertida. Dornelles (apud CRAIDY & KAERCHER, 2001. p. 95), comenta sobre a importância do faz-de-conta para o desenvolvimento cognitivo da criança,
Através do faz-de-conta a criança pode também reviver situações que lhe causam excitação, alegria, medo, tristeza, raiva ou ansiedade. Elas podem neste jogo mágico, expressar e trabalhar as fortes emoções muitas às vezes difíceis de suportar. É a partir se suas ações nas brincadeiras que elas exploram as diferentes representações que têm destas situações difíceis. Assim podem melhor compreende-las ou reorganizá-las.
Esta brincadeira veio ao encontro do tema proposto para a intervenção que foi “A Música enquanto Área de Conhecimento na Educação Infantil”, pois foi passível através da letra da música criar diferentes tipos de sons, que aparecem na mesma, trabalhei assim com um exercício de voz em caráter lúdico, entrando em um contexto determinado (como uma canção que conta uma história). Foi um bom exercício de coordenação sensório-motora e orientação espacial-temporal.
Como última ação de intervenção planejada, convidei meu amigo músico para vir até o Núcleo Infantil, preparei um cenário como se fosse um teatro para sua apresentação. As crianças divertiram-se, interagindo o tempo todo com o músico Quiko, cantando, tocando alguns dos instrumentos que ele trouxe, como o violão, atabaque e o chocalho.
5 CONSIDERAÇÕES
Considera-se que a música na sala de aula é um componente importante para o desenvolvimento da criança, como se enfatizou no decorrer deste estudo e entende-se que este tema deva ser trabalhado a partir da Educação Infantil, pois concorda-se com o Referencial Curricular de Educação Infantil (MEC, 1998, v.3, p. 48),
Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos das mãos, escutar diferentes sons, etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, alem de atenderem a necessidades de expressão que se passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender música significa integrar experiências que envolvem a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-se para níveis cada vez mais elaborados.
Na Educação Infantil a música exerce sobre a criança um ar de brincadeira fazendo com que o aluno tome gosto pelo canto, pelo ritmo, pelo som, estimulando com que a mesma aprenda também a se expressar oralmente, socialmente. Isso sem falar nas alternativas educativas que ela oferece através de jogos, brincadeiras, histórias que podem ser proporcionadas com a utilização da mesma.
Como a escola não apresenta propostas para a realização do trabalho com a música, a mesma se mostra de um jeito “tímido”, ou seja, pouco trabalhada no contexto da rotina diária, como área do conhecimento. Porém, como recurso pedagógico foi possível visualizar somente trabalhos com Cds com músicas infantis. Isto denuncia que a música não é só cantar, e que devemos deixar que as crianças explorem diversas possibilidades sonoras dos objetos ou de instrumentos musicais.
Assim, Maffioletti (apud CRAIDY; KAERCHER, 2001, p. 75), salienta que “Os métodos de ensino da música mostraram que a Educação Musical não pode ser promovida apenas por atividades cantadas”.
Já, na intervenção, pode-se vislumbrar um outro cenário que envolvia os pequenos em atividades musicais de forma lúdica, descontraída e que se expressava em cada ação oferecida em um conhecimento há mais.
Além das crianças, a instituição ganhou com a implementação deste projeto, pois um dos resultados obtidos foi a ação proposta pelo amigo Quiko (vocalista e instrumentista de uma banda musical de Balneário Camboriú) de vir uma vez por semana até o Centro de Educação Infantil para trabalhar a música e os sons com as crianças.
Em relação aos professores percebeu-se que as ações da intervenção colaboraram de modo significativo para abrir possibilidades de orientações didáticas e previsão de materiais alternativos e construídos como recursos para promoção da educação musical.
Ao mesmo tempo, sugere-se que sejam oferecidos cursos de capacitação com especialistas nesta área, para as acadêmicas do Curso de Pedagogia ao longo de sua formação, porque esta é uma área do conhecimento tão importante quanto Matemática, Português, Artes, Educação Física e precisa ser incorporada ao currículo de formação inicial e continuada dos professores que venham a atuar na educação infantil.
6 REFERÊNCIAS
BECKER, F. Da ação a operação: O caminho da Aprendizagem; Jean Piaget e Paulo Freire: Educação e realidade. Porto Alegre: Palmaringa, 1993.
BRASIL, MEC. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Vol.3. Brasília: MEC/SEF, 1998.
DORNELLES,Leni V.. Educação Infantil: Pra que te quero? in CRAIDY, Carmem & KRAERCHER.
JOLY, Zenker Leme. Educação Musical: conhecimentos para compreender a criança e suas relações com a música. 2003.
JEANDOT, Nicole. Explorando o Universo da Música. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 1993.
HOWARD, Walter. A música e a criança. 3ª ed. São Paulo: Summus, 1984.
LUDKE, Menga. Pesquisa em Educação: Abordagens Qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MAFFIOLETTI, Leda de Albuquerque. Educação Infantil: Pra que te quero? in CRAIDY, Carmem & KRAERCHER.
OSTETTO, Luciana E., Encontros e encantamentos na Educação Infantil. Campinas, SP: Papirus, 2000, P.177.
PEP, Alzina. Educação Infantil: Pra que te quero? in CRAIDY, Carmem & KRAERCHER
ROMANELLI, Guilherme. Revista Aprende Brasil, v. 2, 2004.
[1] Acadêmica do Curso de Pedagogia – Univali - Itajaí
[2] Professora orientadora – Prática de Ensino: educação infantil – Univali - SC
Fotos de instrumentos musicais produzidos pelos alunos.
3º PROJETO
EU MINHA FAMÍLIA E MEU ANIMALZINHO DE ESTIMAÇÃO
Professoras Vera Freire Palma
Mônica Monteiro
TEMA
Mais que simplesmente trabalhar o Eu, a Família e os Animais, serão usada oportunidades, para enriquecer e colaborar para a formação de valores autênticos permitindo assim que as crianças envolvam-se ao máximo nesse processo de aprendizagem.
PROBLEMÁTICA
Como contribuir para que a criança desenvolva no decorrer de sua aprendizagem as suas habilidades físicas mentais verbais sociais e emocionais?
JUSTIFICATIVA
Tendo em vista o desenvolvimento da criança, a valorização de seus conhecimentos e a garantia de novas aquisições procurando atender a todas as possibilidades, e aproveitando as oportunidades que surgirem, estaremos propondo atividades que, sejam próprias do mundo lúdico e do imaginário da criança, colaborando assim para a formação de valores autênticos.
Nos resgates dos valores encontramos a dificuldade da criança em se sentir inserido no primeiro grupo social que é a família, é através desse grupo que a criança tem uma dimensão do seu “EU”, formando sua personalidade e adquirindo autoconfiança. E seu nome é o que de mais importante existe para ela.
É através desse grupo que a criança tem a dimensão do seu "eu", formando sua personalidade e adquirindo autoconfiança. E o seu nome é o que de mais importante existe para ela.
O núcleo como principal mediador entre a criança e sua família, vem valorizar esse relacionamento entre pais e filhos, fazendo com que a criança busque informações no seu lar sobre sua história.
A certeza de ser amado e cuidado pela família é um ingrediente poderoso que faz com que se sinta reconhecido, valorizado e incentivado a fazer o melhor, e a colaboração dos educadores è fundamental para fortalecer a sua autoconfiança, onde o respeito e a compreensão seja uma atitude permanente entre família e educadoras.
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Despertar o interesse das crianças a respeito de sua família, da casa e dos animais procurando enfocar sempre sua importância, dentro deste contexto promovendo assim uma educação voltada ao desenvolvimento da cidadania tornando-os cidadãos conscientes do seu papel na sociedade.
Objetivos Específicos
Resgatar a historia de vida da criança, tendo como fator primordial, elevar sua autoestima, possibilitando que ela se identifique como sujeito da história.
- Reconhecer a si mesmo como sujeito integrante deste contexto.
- Trabalhar a casa (os tipos de casa), quais seus moradores e os animais domésticos que vivem nela;
- Incentivar as crianças a procurar reconhecer os animais de sua casa;
- Reconhecer aspectos característicos dos animais e identificar o habitat dos mesmos;
- Reconhecer seus familiares, seus nomes, bem como seu próprio nome;
- Observar diferentes gravuras de animais e relatá-los, principalmente os que habitam a comunidade;
- Diferenciar animais domésticos e selvagens;
- Diferencias os diferentes sons emitidos pelos animais que vivem e os que não vivem na comunidade;
- Adotar postura de respeito e preservação aos animais;
- Relacionar-se efetivamente como o uso real da escrita;
- Desenvolver a oralidade através da música;
- Desenvolver noções matemáticas como: seleção, classificação através do lúdico.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O Projeto possibilitara a integração das áreas do conhecimento evitando fragmentação o mesmo propõe desafios, desperta curiosidades e permitira que as crianças confronte suas hipóteses com o conhecimento historicamente construído, gerando assim possibilidades de uma aprendizagem significativa e contextualizada, aumentando significativamente o repertorio infantil o que possibilitara a construção de novos conhecimentos.
Os conteúdos contemplados para serem trabalhados durante o primeiro semestre do ano de 2007 abordaram assuntos que as crianças demonstraram interesse durante nossas conversas de roda.
Considerando a criança como um ser social, integral e em franco desenvolvimento sabemos a importância de trabalharmos sua identidade seu grupo social e familiar.
Sensibilidade, igualdade e identidade serão os principais norteadores do nosso Projeto o qual envolverá a participação efetiva de todos os envolvidos no processo ensinar/aprender, demonstrando responsabilidade e liberdade, onde o compromisso é o de formar cidadãos livres e conscientes.
“As crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de intenso trabalho de criação, significação e ressignificação”. (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. vol. 2 p21 1998).
À medida que a criança interfere no Projeto ela o faz através da sua história de vida, que esta ligada a história familiar, que traz consigo uma historia do grupo a que pertence. A Educação Infantil marca um momento muito significativo para as crianças onde ela passa a dialogar com referências extra familiares e para que isso se dê de forma tranquila e estruturadamente família e núcleo devem estar em sintonia com os valores e atitudes a serem trabalhados.
O tema animais surgiu durante uma dessas conversas quando perguntado: Quem tem um animalzinho de estimação? A maioria respondeu que tinha um cachorro, daí a escolha trabalhar os animais juntamente com o eu e a família.
Estudos revelam que o contato com animais pode ser uma forma de a criança aprender e exercitar elementos importantes para seu amadurecimento, como o afeto, o cuidado, o respeito e a dedicação. As responsabilidades e as exigências desses pequenos animais mostram as crianças que outros seres vivos precisam desses elementos para sobreviver.
Esse aprendizado acaba sendo generalizado para os de grupo e para os aspectos relacionados a si mesmo, um processo importante para o desenvolvimento da sociabilidade e da autoestima.
“A construção deste conhecimento também é uma das condições necessárias para que as crianças possam, aos poucos, desenvolver atitudes ao respeito e preservação a vida e ao meio ambiente, bem como atitudes relacionadas à saúde.” (Referencial Curricular para Educação Infantil. p188. vol.3, 1998)
Trabalhar os animais de estimação possibilita desenvolver na criança o respeito e o cuidado com o meio ambiente e com todos os seres vivos. Este provoca bastante interesse e curiosidade nas crianças, e como o animalzinho de estimação sempre aparece em suas produções artísticas fazendo parte da família nada mais coerente que incluirmos no Projeto.
LEVANTAMENTO DE HIPÓTESES
Após uma assembleia com o grupo para uma sondagem sobre o que queriam saber e o que sabiam a respeito da família, foram feitas perguntas como quem tem irmãozinho quem morava na casa com você tem algum animalzinho de estimação. Foi quando algumas das crianças levantaram questionamentos com: “O meu cachorrinho é minha família, ele mora lá em casa” ele é minha família não é professora? Sendo assim perguntamos se queriam conhecer um pouco sobre a família do amiguinho e seu animalzinho preferido, foram unânimes em suas respostas, dizendo que sim e mostrando bastante interesse pelo o assunto.
CONTEÚDOS

METODOLOGIA
Roda de conversa, em que cada um irá falar sobre sua família, sua casa e seu animalzinho de estimação;
Enviar para os Pais um informativo sobre o Projeto que estará sendo desenvolvido juntamente com algumas perguntas relativas ao nome da criança;
Trabalhar a escrita do nome colocando-os nas cadeirinhas da sala no painel de aniversario e nos trabalhos realizados pela criança;
Procurar gravuras de casas em revistas e escolher uma que represente a sua casa;
Cartaz com gravuras de casas, em que cada um escolherá o desenho que quiser;
Roda de conversa, para falar sobre os moradores da casa, bem como o nome dos animais de estimação que eles têm;
Construção de bonecos para que representem os membros da família;
Procurar gravuras de animais nas revistas, que eles têm em casa, que eles veem na rua (comunidade), alguns que são perigosos, selvagens, etc;
Montar um mural sobre os animais, os que são conhecidos e os que eles não conhecem, cada figura terá seu nome escrito embaixo;
Desenhos e histórias infantis com o tema animais;
Passeio pela rua, ao redor do Núcleo para observar construções, tipos de pavimentação, animais, etc;
Confeccionar casinhas feitas com palito, juta e desenhar os tijolos, representando a história dos Três Porquinhos, e assim demonstrar os tipos de construções;
Literatura dos Três Porquinhos com o objetivo de exemplificar os tipos de construções;
Trabalho de colagem, recortando gravuras de animais das revistas e colando ao lado de seu nome, confeccionado com E.V.A. (relação nome/gravura);
Exposição dos trabalhos dos nomes na sala, para que sejam trabalhados frequentemente;
Confecção de jogos da memória dos animais, feito de papel cartão e revestido com papel contato;
Jogo da memória, dividindo a turma em grupo de quatro crianças;
Criação de alternativas utilizando o mesmo jogo, como, por exemplo, juntarmos as peças iguais, classificar os que podem viver em casa e os que não podem (selvagens, domésticos), os que têm e os que não têm na comunidade;
Música sobre a casa, demonstrando suas partes, “Era uma casa... não tinha teto... não tinha chão...”, e outras como, “Fui morar numa casinha infestada de cupim...”, que na própria letra já trás o nome de alguns animais;
Música de vários animais em que cada um deverá imitar sons e gestos dos animais caracterizando-os;
Momentos de dança, utilizando o CD “Só para Baixinhos três” (Xuxa), que faz referencia exclusivamente sobre os animais;
Linguagem matemática, dobraduras de animais, utilizando como base figuras geométricas (círculo, quadrado, triângulo);
Escrita da música do sapo, em papel pardo e decorado com sapinhos, dessa forma;
Trabalhar as fábulas na confecção de livros de pano;
Assistir DVD onde apareçam diferentes tipos de animais;
Passeio no zoológico;
Trazer para a sala um pequeno aquário com um peixinho, para as crianças cuidarem;
Colocar pendurado em uma árvore próxima à janela da sala um bebedor de água para os beija-flores.
Enviar para os Pais um informativo sobre o Projeto que estará sendo desenvolvido juntamente com algumas perguntas relativas ao nome da criança;
Trabalhar a escrita do nome colocando-os nas cadeirinhas da sala no painel de aniversario e nos trabalhos realizados pela criança;
Procurar gravuras de casas em revistas e escolher uma que represente a sua casa;
Cartaz com gravuras de casas, em que cada um escolherá o desenho que quiser;
Roda de conversa, para falar sobre os moradores da casa, bem como o nome dos animais de estimação que eles têm;
Construção de bonecos para que representem os membros da família;
Procurar gravuras de animais nas revistas, que eles têm em casa, que eles veem na rua (comunidade), alguns que são perigosos, selvagens, etc;
Montar um mural sobre os animais, os que são conhecidos e os que eles não conhecem, cada figura terá seu nome escrito embaixo;
Desenhos e histórias infantis com o tema animais;
Passeio pela rua, ao redor do Núcleo para observar construções, tipos de pavimentação, animais, etc;
Confeccionar casinhas feitas com palito, juta e desenhar os tijolos, representando a história dos Três Porquinhos, e assim demonstrar os tipos de construções;
Literatura dos Três Porquinhos com o objetivo de exemplificar os tipos de construções;
Trabalho de colagem, recortando gravuras de animais das revistas e colando ao lado de seu nome, confeccionado com E.V.A. (relação nome/gravura);
Exposição dos trabalhos dos nomes na sala, para que sejam trabalhados frequentemente;
Confecção de jogos da memória dos animais, feito de papel cartão e revestido com papel contato;
Jogo da memória, dividindo a turma em grupo de quatro crianças;
Criação de alternativas utilizando o mesmo jogo, como, por exemplo, juntarmos as peças iguais, classificar os que podem viver em casa e os que não podem (selvagens, domésticos), os que têm e os que não têm na comunidade;
Música sobre a casa, demonstrando suas partes, “Era uma casa... não tinha teto... não tinha chão...”, e outras como, “Fui morar numa casinha infestada de cupim...”, que na própria letra já trás o nome de alguns animais;
Música de vários animais em que cada um deverá imitar sons e gestos dos animais caracterizando-os;
Momentos de dança, utilizando o CD “Só para Baixinhos três” (Xuxa), que faz referencia exclusivamente sobre os animais;
Linguagem matemática, dobraduras de animais, utilizando como base figuras geométricas (círculo, quadrado, triângulo);
Escrita da música do sapo, em papel pardo e decorado com sapinhos, dessa forma;
Trabalhar as fábulas na confecção de livros de pano;
Assistir DVD onde apareçam diferentes tipos de animais;
Passeio no zoológico;
Trazer para a sala um pequeno aquário com um peixinho, para as crianças cuidarem;
Colocar pendurado em uma árvore próxima à janela da sala um bebedor de água para os beija-flores.
AVALIAÇÃO
O processo de avaliação se dará de forma continua, sendo considerados os principais aspectos que envolvam o desenvolvimento da criança, como o cognitivo afetivo e psicomotor.
Através da observação, estaremos avaliando e acompanhando o processo de construção do conhecimento de cada criança e redirecionando nosso trabalho conforme as necessidades e dificuldades encontradas.
Estará sendo feitos registros de acontecimentos individuais e grupais, das crianças pelas educadoras.
BIBLIOGRAFIA
BRASIL, MEC/SEF. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Ministério da Educação e do Desporto, Secretária de Educação Fundamental. Vol. 1, 2 e 3. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASIL, MEC/SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais: meio ambiente, saúde, Secretária de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1981.
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